C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos

ETERNA MÁGOA...


Um dia eu quis saber, talvez, por simpatia
O que afligia o encanto e tanto magoava
Àquela linda face que outrora sorria
Distribuindo sonhos, por onde passava...

Com os olhos submersos em desilusão,
Usando um lenço branco ela os deixou enxutos...
Sentou-se do meu lado, apertou minha mão
E ficou pensativa por alguns minutos...

- Amigo, me envolvi, na flor da mocidade,
Com quem não me deu paz, carinho ou amizade,
E nessa solidão, há anos, eu convivo...

Na rua o acompanho e sirvo de deleite...
Em casa, sou esposa, apenas de enfeite...
Na vida, eu sou viúva de um marido vivo...

(Nizardo)
Dir. Reservados
Xerinho.

Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 01/06/2007


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