C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos

PONTO FINAL


O estro reluzente que em mim habitava
Sentiu-se tão sozinho com a sua partida
Que resolveu findar os seus dias de vida
Naquela antiga casa em que você morava.

Levou consigo os sonhos dentro de uma mala
E calçou as sandálias feitas de humildade
Entrando em teu recinto cheio de saudade
Sentou-se e derramou mil lágrimas na sala...

Rumou para o teu quarto e acendeu a chama
Deitou-se onde ficava a tua ardente cama
E pôs-se a soluçar no mar de nostalgia...

Caindo lentamente na desilusão
Morreu silencioso postado no chão
Pondo um ponto final nas trevas da agonia...

(Nizardo)
Poesia registrada.
Xerinho.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 27/05/2007


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