C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


TUA CULPA
 
Se fomos duas vidas num só corpo outrora
Onde eras para mim a musa inspiradora...
Sou hoje mais que um nada pela estrada afora
Vagando sem dar paz à alma sofredora.
 
E a amarga, tenebrosa  e árdua penitência
Imposta a um pobre escravo dos desejos teus
Aprisiona o coração na consciência
Lacrada com o teu nome e a palavra adeus.
 
O tempo se encarrega de acabar com tudo
E com falsos amores, por vezes, me iludo
Esperando que a minha dor o amor esculpa
 
Eu não digo a ninguém o mal que me fizeste
Mas todo ostracismo que ao deixar-me deste
Matou-me pouco a pouco e é esta a tua culpa!
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 02/10/2014
Alterado em 02/10/2014


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