C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


LIMO DO LAMAÇAL
Ouviram pelos cantos de paredes Teus filhos chorando dentro das redes... O povo heroico e o brado retumbante Perderam sua força triunfante... O sol da liberdade em raios quentes Derreteu teus amigos e parentes... Se o penhor penhorou tua verdade Levou consigo tua lealdade... Em teu seio se alimentam políticos, Essa raça de vermes paralíticos... Oh pátria alada, estrupidada e imoral Teu solo fede à covardia social... Brasil de um pesadelo eterno e trágico Fingindo que habita um mundo mágico... E veja o verde-lama que te banha No lodo varonil que te acompanha Gigante dominado por partidos Compostos por larápios e bandidos... És belo, mas a fama te condena A ser um cabaré de quarentena... Verás que um filho teu não foge à luta Mas, tu és uma mãe filha da puta! Entre outras mil que já pariu uma ninhada És a madrasta da pobreza, dizimada... De um filho deste solo és mãe ausente No passado e no mórbido presente! Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 04/07/2014
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