C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


PURGAÇÃO
Meu coração decrépito sofre e possui Em porões profundíssimos e inviolados Arquivos pessoais, ex-amores e fados, Que eu sepultei, lacrei, e nunca mais lá fui... O mofo, as traças e o excesso de umidade Obrigaram-me a descer às pastas subterrâneas E remover das lápides mediterrâneas Inúmeras fatias de inutilidade. Assim o fiz... Desci a escada da saudade E abri a fechadura da fatalidade Entrando na ante-sala das desilusões... Porém não logrei êxito na tal faxina; - Droguei-me com teu cheiro (que lá predomina) E desmaiei na cama das recordações... (Nizardo) Direitos autorais. Xero.[;)]
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 01/05/2007
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