C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos

A DAMA E O PLEBEU


Incorporando o espírito da primavera,
Um louco apaixonado, em grande disparada,
Querendo demonstrar sua paixão sincera,
Roubou uma linda flor e deu à sua amada...

A dama se encantou com o gesto do plebeu,
Porém não lhe poupara da cruel notícia;
- Dissera-lhe que o amor que outrora fora seu,
Alguém também furtara em asas de delícia...

Diante do exposto fato relatado,
Saiu aquele pobre tolo apaixonado
Perdido em languidez e cruciais quimeras...

Num pranto copioso que o desdém produz,
Carregando consigo a tão pesada cruz
Que lhe será o fardo das próximas eras...

(Nizardo)
Poesia registrada.
Xerinho.[;)]
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 27/04/2007


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