C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


CONVULSÃO
Sinto nos interstícios vários e hipotéticos Em vãs emanações voláteis, indomadas, As gotas do teu néctar impregnadas Em exacerbações e surtos catalépticos... Teu corpo – Esse infalível lactodensímetro, Embebe-se no acme que o olhar reflete Esmerilhando a boca que lhe faz minete Insalivando cada divinal centímetro... E a conjunção do amor com a flor centrifugada Impulsiona a alma entregue e dominada Aos páramos ambíguos da cópula métrica... Carbonizando, assim, pudores e princípios Com mínimas porções que invadem orifícios E os paralisa, enfim, numa descarga elétrica! Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 12/04/2007
Alterado em 26/01/2008 Comentários
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