C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


FÊNIX...
Um casamento falido E um velho amor esquecido Testemunham com ironia A palidez desse lar Que vivia a gargalhar - Morrendo nessa agonia... Só almoçávamos juntos E hoje somos dois defuntos Insepultos, sem valor... Vivendo de fingimentos Sem tesão, sem sentimentos Sem ereção, sem amor... Recordo as tardes fagueiras Onde as nossas brincadeiras Começavam no capim... Eu era doido, tu louca, Minha língua em tua boca, Teu corpo em cima de mim... Mas tudo passou, morreu! Nosso encanto se perdeu, Nosso cristal se quebrou... A dor bate à nossa porta E agora pouco me importa Quem de nós dois mais errou... Almoçamos falsidade, Lanchamos debilidade, Jantamos ingratidão... E deitamos com frieza No colchão dessa tristeza Pra fazer a digestão... Eu quero seguir meu rumo, Mas quando as malas arrumo Fico impedido de ir, E choro feito criança Alimentando a esperança Do nosso amor ressurgir. (Nizardo) Poesia registrada. Xerinho.[;)]
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 05/04/2007
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