C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


AMOQUE



Mascaro os teus defeitos com tanto fervor

Que oculto até de mim tuas freqüentes falhas

E vivo atrás de ti em busca de migalhas

Deixadas na incerteza desse estranho amor...



E basta um riso teu ou simplesmente um olhar

Para que eu fique totalmente desvairado,

Atirado aos teus pés, ou seja, escravizado

Pelo feitiço oculto incluso em teu andar...



E mesmo que eu me afogue um dia na saudade

E morra sufocado na inutilidade

Das fibras funerais de um pálido pijama...



A morte levará um corpo que foi teu,

Uma boca que em teus lábios tanto mel bebeu

E um coração que quase morto inda te ama...


Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 30/03/2007
Alterado em 26/01/2008


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