C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


O NÁUFRAGO
A vasta extensão d’água lúgubre e salgada Metamorfoseou a minha nau de linha Num barco obsoleto que nem vela tinha A navegar na dor, perdido, rumo ao nada... Meu corpo fadigado pela intermação Tombava no sepulcro da malvada trilha, E o último suspiro fez-me ver uma ilha A infindas milhas náuticas do coração... Chorei, gritei, sorri, vibrei como criança! E nadei rumo àquela única esperança; - A minha terra firme, o berço dos palmares... Encontrei lá a paz que o mundo me tolheu E um amor sincero e puro que me promoveu A comandante incólume dos sete mares! Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 10/03/2007
Alterado em 26/01/2008 Comentários
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