C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


COLO DE MÃE
As mãos cansadas que hoje debulham o terço
Rezando pelos filhos que tivera um dia,
Fazia-os ressonar no caloroso berço
Em noites que ela mesma nem dormir podia.
O tempo se passou e os tais bebês partiram
Constituindo lares em longínquo solo
E aos prantos tantas vezes saudades sentiram
Da sua mão amiga e do sagrado colo.
E aqui estou agora, minha mãe querida!
Louvando-te por tudo que és em minha vida
E as vezes que te fiz chorar, mãe, me perdoe...
Devolvo-te chorando o que me deste rindo;
- Exigindo silêncio quando estás dormindo,
- Dizendo quando partes: "Mãe, Deus te abençoe!"
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 08/01/2013
Alterado em 09/05/2021 Comentários
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