C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


REVEILLON
 
Pensei que o reveillon iria amolecer
A tua alma sublime que tanto me agrada,
O teu sorriso franco e essa expressão de fada
Que tanto me fizeram sorrir e viver.
 
A face envolta em prantos no meu travesseiro
Queria tão somente o afago da tua mão,
Porém o som fatídico de um foguetão
Fez-me desmoronar em cima do ponteiro.
 
Passava a meia noite, enfim, era ano novo!
Debruçado à janela eu assistia o povo
Comemorando o parto de mais uma glória
 
Enquanto eu via em mim a dor da tua ausência,
A ingratidão da tua falta de clemência
E a pedra tumular selando a nossa história.

Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 07/01/2013


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