C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos

ESCRAVO BRANCO

Não tenho liberdade, não delego nada...
Sou totalmente inerte, pois não mando em mim,
Teu canto da sereia linda e cobiçada,
Entrou na minha vida e me deixou assim...

Carente dos teus olhos, servo dos desejos!
Capacho dos feitiços da tua ternura...
Perdido nesse poço de infinitos beijos,
Vivendo a venerar tão bela criatura...

Se eu durmo, me visitas n'um profundo sonho...
Se escrevo, estás presente em tudo que eu componho,
Joguei meu coração nesse feliz barranco...

E vivo tão feliz, nesse adorável mundo,
Que joguei tudo fora, virei vagabundo,
E me tornei somente, teu escravo branco...

(Nizardo)
Poesia registrada.
Xerinho.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 09/03/2007


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