C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


AMANTE
 
Somos dois seres mergulhados na clausura
Submergidos numa trama neuronal
Nesse ilusório mundo que faz bem e mal
Regozijado nessa relação impura.
 
Teus beijos são de outro e os meus de outra são!
Teu corpo possui dono e o meu também tem dona...
Porém esse tesão que não nos abandona
Prendeu as nossas almas num só coração.
 
Secretamente dando às nossas frágeis vidas
Pitadas de emoção e amor às escondidas
Que são sustentação e ação do sentimento
 
E a Deus cabe julgar tão transloucado fado
Estipulando o preço do nosso pecado
Por termos ultrajado o nono  mandamento!

Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 29/10/2012


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