C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


ABDUÇÃO
A tua boca insana, carnuda e gulosa Sugava em meu tecido o mel que lhe escorria E a minha língua também drenava e lambia O néctar da tua flor maravilhosa. Prendi as tuas pétalas de carne ardente Por entre os cuidadosos lábios que mordiam Pra degustar as doces gotas que escorriam No prazeroso túnel do teu corpo quente. Deixei as minhas mãos bem firmes e espalmadas Por entre as tuas coxas imobilizadas Que, trêmulas, jaziam, anunciando o fim De mais uma viagem rumo ao suprassumo, Onde dois corpos nus navegaram sem rumo Guiados tão somente pelo teu carmim. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 19/10/2012
Alterado em 10/02/2015 Comentários
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