C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


AMOR DE VIDRO
Não devo alimentar amores virtuais Pois não quero sentir o fel do dissabor De me relacionar por um computador Sem beijos, sem carícias, nem toques carnais. Nego-me a ficar preso na poltrona fria À espera de um abraço, um beijo ou algum gemido Sabendo que também poderei ser traído Por uma momentânea falta de energia. O meu louco ciúme e o excesso de carência Fariam do meu ser um estro de demência Catalogando prantos de saudade e dor Deitado numa cama, com o mouse ao meu lado Jogando sensações em cima do teclado E atingindo o clímax com o monitor. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 18/10/2012
Alterado em 10/02/2015 Comentários
|