C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


MEL E FEL Teu corpo sedutor e belo é uma arapuca Onde eu vivo cativo no coito fugaz Afagando tua face num abraço por trás E bebendo o suor que escorre em tua nuca. Teus lábios são tão doces que destilam mel E a tua ousada língua é fonte de desejos Pois quem provar, ao menos um, dos teus mil beijos Tornar-se-á mais um detento em teu quartel. Quisera eu ser a tua única cobiça Pra não sentir na boca o gosto de carniça Que vem de tantas bocas que na tua vão E não viver gemendo pelas madrugadas Por sofrer tantas tapas e cotoveladas Dos outros que coabitam no teu coração. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 15/10/2012
Alterado em 10/02/2015 Comentários
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