C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


MÁ FÉ
 
Em nossas vidas passam fabulosos seres
Com tanta galhardia, brio e relevância,
Que quando são tragados no mar da distância
Levam consigo a chama dos nossos prazeres.
 
Porém, passam também corações vagabundos
Brincando de querer sem nunca ter amado,
Firmando-se covardemente ao nosso lado
No intuito de burlar os nossos frágeis mundos.
 
Apoiam-se nas cavas da nossa carência
Conduzindo-nos ao suprassumo da demência
E dando a impressão de que somos felizes...
 
Para depois mostrarem sua crueldade,
Deixando uma compressa fria de saudade
Nos cortes que jamais virarão cicatrizes.

Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 13/10/2012


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