C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


INSONE
 
Notívagos são seres com as almas chagadas
Clamando em suas letras cura para as dores
Deixadas pelos vãos e tétricos amores
Que assolam suas mentes pelas madrugadas.
 
São corações sofridos e almas que caminham
Sem porto, sem amparo, sem rumo, sem vida...
Chorando pelos cantos a ilusão perdida
Enquanto os seus sensíveis corpos se definham.
 
E em páginas opacas letras são escritas
Formando poesias, por vezes, malditas
Em tom de desabafo pelo menestrel
 
Que ao ver sua caneta, trêmula, escrevendo
É como se o seu sangue estivesse escorrendo
Para compor amor e dor sobre o papel.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 13/10/2012
Alterado em 15/02/2015


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