C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


PORTA ABERTA
Podes entrar, tristeza, a casa é tua! A minha porta de dor se escancara Deixando entrar a luz da noite clara Que anda lá fora embelezar a rua. Felicidade partiu logo cedo Levando o riso e a minha paz consigo... Além da mão sincera e o ombro amigo Deixando apenas solidão e medo. E ao prosseguires teu cruel trajeto Deves calar-te, ocultes que esse teto Acobertou-te com tanta doçura Também omitas o escabroso fato De havermos nós assinado um contrato Com a caneta da minha amargura. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 17/02/2007
Alterado em 28/08/2014 Comentários
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