C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


ANJO MENINO (João Hélio - morto aos 6 anos)
Corações truculentos, servos da maldade... Guiados pelo influxo cruel do inferno Romperam o santíssimo elo materno Deixando um coração de mãe pela metade... Que uns anjos te conduzam à abóbada invisível, Enquanto outros confortam tua antiga casa, Onde tua mãezinha o tinha embaixo d’asa Livrando – te de todo mal que foi “possível”... Fiquemos nós aqui a lamentar a ida De alguém que teve a sua infância interrompida Por algozes viris de instintos filisteus... Adeus, pequeno amigo, impúbere menino! Serás mais uma rosa no jardimdivino, Ouvindo as nossas preces no colo de Deus... (Nizardo) Poesia registrada. Xero.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 11/02/2007
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