C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


PERDÃO, MAMÃE!
 
Aos teus sábios conselhos nunca dei ouvidos...
E achando-me suficientemente forte
Saí do teu domínio e fui tentar a sorte
Num mundo de ilusões e sonhos atrevidos.
 
Amei quem não me amava, fiz falsos amigos,
Compartilhei segredos com quem não devia...
Caminhei lado a lado com a hipocrisia
Em vales tortuosos mendigando abrigos.
 
O tempo se passou e a tua "cria torta"
Vem hoje, humildemente, te bater à porta
Querendo tão somente ouvir: "Deus te abençoe..."
 
Dar-te um profundo beijo e um caloroso abraço,
Depois, feito um bebê, aos prantos no teu braço
Beijar-te e te dizer: Mãezinha, me perdoe!
 

Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 12/05/2012


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