C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


ALMA SEBOSA
 
Antes de me ferir por trás, como fez Judas,
Atenhas-te à tua miserável vida;
- Ao lado de quem banca tua vil guarida
Por pena do que és, inútil, não te iludas!
 
És nada e nada tens, pois tuas amizades
São nada mais que um antro cercado de escrotos
Frequentando tua casa, essa rede de esgotos
Onde impera a aparência, a ira e a falsidade.
 
Sou nobre, sou autêntico, digo o que penso!
Almas sebosas feito a tua eu dispenso
E hás de perecer na solidão à míngua...
 
Portanto, verme hipócrita, não me apunhale!
E quando perguntarem por mim nada fale
Apenas morda a tua venenosa língua!
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 19/04/2012
Alterado em 20/02/2015


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