C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


A PORTA
Talvez eu verta sangue dos olhos, não importa! Contanto que eu desbrave o mistério do prado Que em cores verdejantes fica do outro lado Da fascinante e quase intransponível porta. E o coração castiço, em jovial impulso Arrisca-se no vácuo, na árdua tentativa De amar e ser amado, e assim, manter-se viva A chama consonante que lhe nutre o pulso. E se esse for mais um terrível despautério Dou-me por saciado, já que tal mistério Foi desvendado, e enfim, a alma se conforta Melhor morrer nos braços de uma paixão fria Do que viver no espírito da covardia Que desonrou-lhe à vida ao lhe afastar da porta. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 22/01/2007
Alterado em 28/08/2014 Comentários
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