C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


POBRE MULHER
Nessa tua existência vil, vegetativa,
Seduzes, fazes charme, finges sentimentos...
Mas, na verdade, tentas nesses vãos momentos
Testar o teu ibope pra sentir-se viva.
Investindo os teus dólares em prol de um "look"
Que venha a maquiar teu ego depressivo
As tuas fotos são em tons apelativos
Ridicularizadas em teu Facebook.
E enquanto a vida segue a preguear-te a face
Compactuas com teu tédio um triste enlace
Que há de consumir-te em teu viver insano...
Cumprindo a horrenda pena em tua consciência;
- Enclausurada na parede da demência
- Sentada no batente do teu desengano.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 13/03/2012
Alterado em 20/02/2015 Comentários
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