C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


CHAGA
Teu coração inóspito sofre e possui
Inúmeras feridas perpendiculares
Emolduradas por queixumes e pesares
Que há muito tempo eu vi (e nunca mais lá fui).
Tentei fazer no teu coração uma faxina
Removendo os fantasmas que lá se hospedaram
Mas teus instintos juvenis me revelaram
Que és uma mulher com mente de menina.
E já que nada posso fazer pra curar
Essa doença crônica que há de matar
Quem vive por viver, deglutindo aflições...
Serei na tua vida um vil paliativo
E estando quase morto eu também sobrevivo
Submisso aos teus mágicos olhos pidões.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 11/03/2012
Alterado em 09/02/2015 Comentários
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