C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


AMOR SECRETO
Nem sonhas que eu te adoro e me confidencias Tuas cruéis angústias de amores medonhos... E as tuas pretensões românticas e sonhos Que te lavam de dor ou banham de alegrias... Se acaso me perguntas se possui virtudes Alguém que faz teu peito pulsar diferente, Meu coração se rasga e minha boca mente No intuito de lançá-lo a ermas longitudes... Por te querer, fiz coisas que até Deus duvida... Renunciei à minha, e vivo a tua vida, Buscando ser teu porto firme e o teu amparo... E esse amor secreto, “às vezes” me atormenta, Porque meu coração no impulso “sempre” tenta Falar-te do que eu sinto, e eu “nunca” me declaro... Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 22/01/2007
Alterado em 26/01/2008 Comentários
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