C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


ÚLTIMO ATO
No orbe do ludíbrio instala-se o proscênio E as máscaras sutis repletas de imposturas Dão vida às bestiais e horrendas criaturas Que vão representar papeis de tungstênio... Intérprete do hostil e visceral contexto Já maquiei a face e o script foi lido! E sigo a interpretar - vencedor ou vencido, De acordo com o epílogo do horrendo texto... E espio o ar de riso e a fúria da platéia Torcendo pra que o mundo (essa imensa alcatéia) Sirva-me no banquete das carnificinas... Em mais uma odisséia que só teve ida Do ator que viu a dor lhe esfacelando a vida Ao apagar as luzes e ao fechar cortinas... Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 19/01/2007
Alterado em 26/01/2008 Comentários
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