C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


TEU BEIJO...
Teus ósculos são tônicos vindos dos sábios Que exortam o incorpóreo deus da sedução... E as bordas encarnadas dão-se à sucção Do néctar lascivo de tão doces lábios... Tua magia púbere dissipa as farnes E acolhe o meu querer, querendo que eu te queira... Na química perfeita e na fusão fagueira Gestadas nos ventrículos das nossas carnes... Mas se o destino converter mel em veneno E nos servir cicuta em cálice pequeno, Lançando-nos aos átrios da iniquidade... Mergulharemos, ambos na desesperança! Eu sendo em teu viver, um pingo de lembrança, Tu sendo em meu sofrer, um lago de saudade... (Nizardo) Poesia registrada. Xerinho.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 17/01/2007
Alterado em 27/04/2008 Comentários
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