C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


CICLONE

Os pedestais de outrora que eram sustentáculos
Renderam-se aos ímpetos de abalos sísmicos
E foram devorados pelos cataclísmicos
Corações de molambo ou pérfidos oráculos...

E na destruição vandálica onde medra
O fel qualitativo do “eu” subterrâneo
Injeta-se o absinto ali, subcutâneo,
Levando ao cadafalso o coração de pedra...

Adeus às ilusões... Aos sonhos mal vividos!
Aos amores voláteis, não correspondidos...
Ao mundo - Esse covil de horripilantes feras!

E pouse o seu espectro em órbitas lunares,
Reencarnando noutros planos estrelares
E se regozijando noutras fotosferas...

Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 16/01/2007
Alterado em 26/01/2008


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