C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


TRANSCENDENTAL
Olhei-te silenciosamente ante o palor Que me exauria à essência em gotas pela testa E a minha alma atenta, susurrou-me: “É esta A tua grande musa e o teu eterno amor”. Porém teus olhos nunca tinham frases prontas, E os teus lábios de seda nunca me ofertaram Os beijos tão sonhados que os meus te roubaram Nas poluções noturnas que eu perdi as contas... E se o destino às nossas almas desconforta Obstaculizando e bloqueando a porta Que conduz aos dulcíssimos favos de mel... Galopemos num pégaso, rumo às janelas Que guardam com afinco todas as parcelas Do amor que aqui brotou, mas só vingou no céu... Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 15/01/2007
Alterado em 26/01/2008 Comentários
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