C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


PASSAMENTO...
Se um dia essa meiguice e esse sorriso brando Deixarem de existir, negando-me guarida... Nem sei o que fazer do que eu chamava: “Vida” E apenas vou viver... Só Deus sabe até quando... A própria vida esvai-se sem que percebamos Que o nosso fim também há de chegar um dia... - Ou pela ação sinistra da monotonia, - Ou pelas mãos da morte, que nunca esperamos... E quando eu me tornar um gélido suplício Afaste-te com zelo, mesmo em sacrifício; Transformes tuas sobras num véu de clemência... Pois só de imaginar, de dor meu ser flutua, E eu ceifaria à minha vida antes da tua, Pra não ter que morrer com a dor da tua ausência... Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 15/01/2007
Alterado em 26/01/2008 Comentários
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