C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


MERETRÍCULA

A afável mercadora d’almas causa insanas
Viagens flutuantes em mares orgásticos
E entre sensações e gemidos fantásticos
Retoca com ilusão às máscaras humanas.

Sua alma se desnuda, o corpo vil copula
E os lábios que destilam mel também enganam
Àqueles que devido à dor também profanam
À carne suscetível que o prazer macula.

Mas ela traz consigo chagas tão cinzentas
Que a submergem sempre em lágrimas sangrentas
Oriundos do olheiro das recordações...

De um coração perverso que a deixou por terra
Fazendo com que a mesma declarasse guerra
Às almas vulneráveis e aos seus corações.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 13/01/2007
Alterado em 28/08/2014


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