C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


PÓ AO PÓ!
O amor já me elevou à abóbada celeste E me inscreveu no cânon dos santificados... Onde eu bebi o vinho dos imaculados, E aniquilei a dor - Abominável peste! E o mesmo amor ambíguo, dantes denso e terno, Propiciou-me, após a pompa dissoluta... Asfixia em brandos tragos de cicuta Servida com luxúria nos festins do inferno! E agora que minh'alma habita o purgatório Esquálida se esvai no pranto compulsório Da trama dilemática e neuronial... À espreita do implacável bonde do terror Guiado pelo pérfido e antigo amor Com rumo à estação do juízo final! Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 11/01/2007
Alterado em 26/01/2008 Comentários
|