C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


A SEREIA
Numa longínqua ilha perto do pacífico, Sedada pela paz das regiões remotas, Repousa entre coqueiros, sonhos e gaivotas Um anjo sedutor de encanto magnífico... Seu corpo exuberante exala o odor telúrico Que umedecido em ânsia me arrebata o lírico E o espírito me deixa e parte rumo ao empírico Momento divinal que se opõe ao púdico. E nesse devaneio ou fuga telepática Minhalma se desnuda da mortalha apática Que fere, doi, maltrata e lhe tritura à veia E veste a toga sã, dulcíssima e eclética, Se entregando inteira à força magnética Que amarra sua língua à língua da sereia... Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 10/01/2007
Alterado em 26/01/2008 Comentários
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