C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


SAUDADE...

Se dependesse da minha vontade
Eu não te escreveria uma só linha...
Mas uma força maior do que a minha
Me obriga a vir falar dessa saudade...

Saudade essa que me invade o abrigo
E como quem não quer nada, viola
Meu peito frágil que te roga esmola
Como se fora um fétido mendigo...

E o coração promíscuo e prostituto
Rasga a tarjeta que ostentava o luto,
E hasteia a seda da felicidade...

Ao mergulhar no mel desses olhinhos
Que lhe remove todos os espinhos
E enfia todos eles na saudade...

Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 10/01/2007
Alterado em 26/01/2008


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