INFIEL AMANTE Perguntam-me se sou fiel, digo que não! Pois todo ser deseja alguém por um momento E eu que me apaixono a cada vão intento Não julgo e nem condeno a busca à ilusão. Não somos lua, sol, músicas, mares, flores, Que são dádivas dadas pelo criador Eles foram feitos pra florear o amor; - E nós, através deles, captar amores. Mergulho em aventuras... Sou fã do prazer E todas as mulheres que eu vier a ter Não me terão acima e nem tampouco abaixo Pois sou leal e o tesão vai além da rima; - Sou totalmente fiel da cintura pra cima - E loucamente infiel da cintura pra baixo! Nizardo Wanderley @nizardopoeta

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos

A PLÁSTICA...

Tenho uma amiga vaidosa
Que ao sentir-se desditosa
Com a ação do tempo perverso,
Recorreu à cirugia,
E eu vou tentar com alegria
Colocar aqui, em verso.

Tinha sido mãe tres vezes
E fazia sete meses
Que ela havia notado
Um certo excesso de "couro"
Caído sobre o "tesouro"
Outrora tão cobiçado.

Me disse desesperada
Que Aquela pele arreada
Lhe deixava entristecida,
Pois quando se depilava,
O "couro" se debruçava,
Por cima da "perseguida'.

Após mais de vinte exames
Entre angústias e vexames,
Ansiedade e agonia...
Estava emocionada
Pois se encontrava deitada
Na mesa de cirurgia.

Puxa aqui, estica ali,
E o ligeiro bisturi
Trabalhava feito um touro
Sem trapaças nem demoras
E em desenove horas
Tirou "dois baldes" de couro.

Corrigiu cada defeito,
Botou bunda, cortou peito,
Deixando tudo no "eixo"
Varizes cauterizadas...
E removeu às papadas
Que tinha embaixo do queixo.

O couro dela tirado,
Fora todinho levado
Em um caminhão-caçamba
Pro nosso "Rio" querido
Onde foi distribuido
Entre as escolas de samba.

Um sambista disse a mim
Que cobriu um tamborim
E mais de trinta pandeiros,
Com o couro do meu benzinho
E inda sobrou um pouquinho
Pra encher uns travesseiros.

Minha amiga é outra dama!
Me disse que hoje se ama
E o coração tá decente
Porque removeu um dia
O couro ruim que cobria
A "fôrma de fazer gente".

E hoje ao lhe visitar
Quando eu fui lhe beijar
Eu achei algo incomum
Pois de lado do pescoço,
Acima daquele osso,
Senti um cheiro de atum.

E olhando discretamente,
Vi um corte diferente
No sentido vertical,
Com uma cor de carmim
Mostrando a língua pra mim,
Molhada na horizontal.

Vi um fiapo saindo
E então fui descobrindo
A razão e o porquê
Do cheiro tão apurado
Pois o barbante babado
Era a pontinha do "OB".

Eu sei que a evolução
Confere ao cirurgião
Fazer tudo que quiser,
Mas não lhe dá o direito
De por acima do peito,
A vagina da mulher.

(Nizardo)
Poesia registrada.
Xerinho.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 09/01/2007


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