C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


TREM FANTASMA
 
Num trem imaginário voltei ao passado
E visitei aquela antiga moradia
Onde um amor eufórico habitou um dia
E de ilusões infindas vivia cercado.
 
Fui até a varanda, me deitei na rede
E cheguei a ouvir teus passos sorrateiros
Sentindo o gosto até dos beijos derradeiros
Enquanto eu me embalava com o pé na parede.
 
Derramei várias lágrimas de dor, saudade,
Lembranças dos momentos de felicidade
Que hão de sepultar-me na cova da ânsia
 
E fui acalentado pelo maquinista
Da composição férrea louca e masoquista
Que me fez viajar na sepulcral distância.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 16/12/2011


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