C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


A CAÇADA... Esse sorriso excelso e sedento de beijos, Gerado na libido dessa alma divina, Retrata o instinto ardente da mulher felina Que caça sua presa e perde-se em desejos... Quisera eu ser teu alvo nas savanas quentes, Sem chances de esboçar um único gemido... E me sentir domado, rasgado e comido Pela tigresa insana e seus profundos dentes... E a presa é esse macho inerte que te ama, Que geme na floresta e entre seus uivos chama Teu nome, nessa busca inconsciente e louca... E já que minha língua não penetra o "céu", Quero ver minha carne, a deslisar no mel Que em sonhos eu bebi no céu da tua boca... Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 05/01/2007
Alterado em 21/04/2008 Comentários
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