C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos



MOTE

SARAVÁ, MAMÃE OGUM!
PULEI VINTE E UMA ONDAS

GLOSA

Eu espantei o "lundum"
Que estava me perturbando
Bebendo cana e gritando:
SARAVÁ, MAMÃE OGUM!
De cara vi cento e um
Satanás fazendo rondas,
Mas eu torei suas sondas,
E à besta-fera enganei,
Pois na virada inovei:
PULEI VINTE E UMA ONDAS.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 01/01/2007
Alterado em 21/04/2008


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