C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


CILADAS...
Milhões de línguas falsas buscarão à tua Boca, com ímpetos orgásticos, frases em vão... Porém duas ou tres, no máximo, irão Soprar amor na dor da chaga que é só sua... Trilhões de mãos vadias, perversas, sem gosto... Mapearão teu corpo com toques eróticos, E arrancarão de ti gemidos tão neuróticos, Que lágrimas virão a encharcar teu rosto... Mas essas bocas grandes (De valor pequeno) Despejarão em ti o mais letal veneno, Interrompendo o riso e os sonhos que eram teus... E as luvas de pelica, tão aveludadas... Se foram, te deixando tédio e mãos malvadas Que ajudarão à boca a proferir-te o : "Adeus"... (Nizardo) Poesia registrada.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 28/12/2006
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