C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


ÚLTIMA FALA...
Me deixes te tocar pela última vez, Prometo não exceder um mísero segundo! Escutes o que eu tenho a te dizer, talvez, Não nos vejamos nunca mais nesse mundo... Olhes pra mim! Meu Deus! porque a indiferença? Pra que nutrir por mim, rancor, tanta aversão? Se hoje te incomodas com a minha presença, Já te fiz muito bem ao ego e ao coração... Não vou te suplicar, não rogo os teus carinhos, Seguimos por errôneos, pérfidos caminhos, E não tivemos culpa de águas que toldaram... Culpemos os olhares, que nada disseram: - Os teus maliciosos, porque me quiseram, - Os meus pecaminosos, que te desejaram... Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 25/12/2006
Alterado em 26/01/2008 Comentários
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