C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


O CHORO DA TOGA
 
O algoz teceu seu plano horrendo e funerário
No seio da caserna, um lar mais que sagrado!
E usando o distintivo e a munição do Estado
Matou u’a nobre filha do judiciário.
 
E segue o esquadrão com o dedo no gatilho
Caçando sua presa frágil e flamejante
Que terá sua vida ceifada diante
Do olhar desesperado de um aflito filho.
 
Que as lágrimas de “Têmis” caiam sem cessar
E lavem um país que vive a patinar
Nas passarelas vãs de um fétido canil...
 
E a mão que fuzilou a juíza Patrícia
Além de abrir fogo na própria polícia
Também feriu a alma do nosso Brasil.

 
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 04/10/2011
Alterado em 04/10/2011


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