C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


ODISSÉIA
Um sentimento, débil, possessivo, Esquizofrênico e exclusivista Tomou meu ser e me emassou à vista Tranformando-me em louco e compulsivo Alucinei-me entre prosopopéias E as paráfrases tomam-me o fôlego, Já que as perífrases deixam-me trôpego, Enclaustrando-me ao "mundo das idéias". E as encáusticas mãos da odisséia Tingem meu sangue celebrando a estréia De mais um fado em minh'alma mofina... Admoestado pela perspicácia, Fui condenado pela minha audácia E pelo amor que tenho a essa menina... Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 21/12/2006
Alterado em 26/01/2008 Comentários
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