C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


O CAVALEIRO DA SERRA
 
Contemplo a imensidade do espaço etéreo
Montado em meu cavalo no alto da colina
E chego a levitar tocando a mão divina
Que paira sobre o verde páramo sidéreo.
 
A velha infância vem emoldurar-me à calma
Trazendo-me lembranças ternas, celestiais...
Dos áureos tempos idos que não voltam mais;
- Porém seguem intactos no fundo d’alma.
 
U’a lágrima acompanha essa cavalgadura;
- Chapéu quebrado à testa, um “Taurus” na cintura,
Minhas fieis botinas, meu cinto de couro...
 
De volta ao aconchego do sagrado lar
Que espera esse vaqueiro para celebrar
O encontro com a família – Meu maior tesouro!


Dedico esse soneto ao meu amigo e sogro Pedro Mafra. Lendário cavaleiro do nosso deslumbrante sertão...

Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 23/09/2011
Alterado em 27/09/2011


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras