C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


ARDILOSA
 
O meu silêncio fala muito mais que gritos
Que ecoam pelos rudes prados da arrogância,
Pois ao medir a minha insignificância
Meu coração seguiu no bonde dos aflitos.
 
Tu não serias minha e nunca pretendeste
Ter-me entre teus abraços, gemidos e beijos...
Fui só mais uma peça entre teus mil desejos,
Portanto ao me ausentar, meu bem, nada perdeste!
 
Que sigas tua vida a caçar aventuras
Pra maquiar a dor das tuas desventuras
E fingir pros incautos que tu’alma ama...
 
Com teu sorriso falso a mendigar afeto
E o teu pranto acuado (sob o horrendo teto)
Que inunda toda noite a tua fria cama.


Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 21/09/2011


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