C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


INFIEL AMANTE
Perguntam-me se sou fiel, digo que não! Pois todo ser deseja alguém por um momento E eu que me apaixono a cada vão momento Não julgo e nem condeno a busca à ilusão. Não somos lua, sol, músicas, mares, flores, Que são dádivas dadas pelo criador Eles foram feitos pra florear o amor; - E nós, através deles, captar amores. Mergulho em aventuras... Sou fã do prazer E todas as mulheres que eu vier a ter Não me terão acima e nem tampouco abaixo Pois sou leal e o tesão vai além da rima; - Sou totalmente fiel da cintura pra cima - E loucamente infiel da cintura pra baixo. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 19/08/2011
Alterado em 21/02/2015 Comentários
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