C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


COITO POÉTICO
Versejando em segredo nesse mundo à parte Trocamos confidências e declarações No submundo harmônico das traições Que nos permitem transformar desejo em arte. Quem lê combinações frasais que nós tecemos Não sabe que “fazemos amor” nos poemas E usamos um ao outro em nossos vários temas Sem que ninguém perceba o quanto nos queremos. E assim vamos curtindo esse escondido rumo Que nos emociona e lança ao supra-sumo Da tão sonhada abóbada desses desejos Que nos fazem sonhar e fugir da mesmice Alimentando a flor do amor dessa meiguice Com o tão sonhado mel de imaginários beijos. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 18/08/2011
Alterado em 20/02/2015 Comentários
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