C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


MEU MAL
 
Sonhei muito mais alto do que deveria
Ao desejar ser alvo de tão lindos olhos
E desde então navego e morro entre os escolhos
Que sobraram da alma que foi minha um dia.
 
E eis que hoje vagueio sem achar guarida
Nas lânguidas quimeras de trilhas errantes
Que outrora eu galopei em passos triunfantes
Bebendo as ilusões nos bacanais da vida.
 
Perdoe-me por te amar, pois tive a intenção
De ser o teu amor, domar teu coração,
Deixando dentro dele só o que era meu...
 
Diante do fracasso restarão as dores;
- Que tu vivas beijando a alimentar amores
E eu desnutrido morra sem um beijo teu.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 10/03/2011
Alterado em 10/02/2015


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