C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


SEGREDO
 
Sou louco por você, mas juro, tenho medo
De lhe falar as coisas que minh’alma dita
Já que o meu coração implora que eu reflita
Se devo confessar-lhe ou não esse segredo.
 
Trato-lhe como amiga, omito os meus desejos
E se alguém lhe cobiça e lhe projeta ao cume
E me autoflagelo com o fel do ciúme
Que escorre nessa boca a suplicar seus beijos.
 
E assim passam os dias, passam meses, anos...
E eu a me afogar no mar dos desenganos
Por vezes choro, grito, e enfim, me desespero!
 
Por ter que camuflar essa ilusão fatal
Que me faz tanto bem e ao mesmo tempo mal
Ao ter como uma amiga àquela que eu venero.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 10/03/2011
Alterado em 21/02/2015


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